NOTÍCIAS DOS ACONTECIMENTOS NO RIO JAUAPERI - ALTERANDO

 

 

O Jornal Folha de Boa Vista noticiou no dia 02 de junho que duas equipes estariam se deslocando rumo ao Rio Jauaperi, composta por militares e técnicos para resolver conflitos que estariam ocorrendo entre ribeirinhos e os índios Waimiri Atroari. Como não estava existindo conflitos, uma operação desta natureza com certeza teria outra finalidade e pelo passado das atitudes do Governo de Roraima para com os Waimiri Atroari, não seria uma “missão” nada amistosa. Os Waimiri Atroari se prepararam para enfrentar mais uma vez os invasores de suas terras.  Foi notificado ao Ministério Público Federal e estabelecido um canal direto noticiando os acontecimentos.

O barco que transportava as duas equipes que faziam parte da expedição, inclusive o Grupo de Ações Táticas Especiais – GATE - da Policia Militar de Roraima chegou às proximidades das terras dos Waimiri Atroari no dia 05 de junho e ficou fundeado nas proximidades das bóias demarcatórias da Terra Indígena Waimiri Atroari, fixadas dentro do Rio Jauaperi.

Por volta das 15,00 horas daquele dia, 04 barcos a motor, transportando policiais e outros atravessaram os limites fixados pelas bóias e se dirigiram ao Posto Indígena de Fiscalização Mahaua situado a 2 km das bóias na margem esquerda do rio Jauaperi. Duas das embarcações permaneceram no meio do rio, com seus passageiros, demonstrando serem forças de segurança e apoio às outras duas embarcações que se dirigiram ao porto do Posto Indígena, numa manobra tipicamente militar.

Das duas embarcações que chegaram até o porto, desceram as seguintes pessoas que se identificaram como Pedro da Policia Civil de Roraima, Enio Capitão do Exercito Brasileiro, Marcelo da imprensa, José da Imprensa, Antonio da imprensa, Lisandro da Policia Civil de Roraima, José Góes da Policia Militar de Roraima, Usiel Delegado de Polícia de Roraima e o Granjeiro, que se identificou como Tenente Coronel da Policia Militar de Roraima, e dois ribeirinhos identificados como João e Alexandre Soares, do povoado Xixuau.

Os líderes Parwue e Warakaxi Waimiri Atroari, receberam a comitiva perguntando qual a missão deles ali. Responderam que estavam em missão do Governo Federal e que a equipe deles estava composta por pessoas pertencentes a vários órgãos de governo e que estavam realizando trabalhos de reconhecimento e conversando com os moradores habitantes nas margens do rio Jauaperi.

Os Waimiri Atroari fizeram um relato sobre acontecimentos do passado recente afirmando que naquele local, os seus parentes, tombaram sem vida, vítimas de ataques de invasores, forças militares, castanheiros, gateiros e outros exploradores de recursos naturais.

Foi perguntado aos Waimiri Atroari sobre os seus problemas. Eles responderam que eram sempre as tentativas de invasão de suas terras e de pessoas que tentavam roubar produtos naturais, como castanhas, tartarugas, animais silvestres, peixes, exigindo sempre uma fiscalização constante nos limites de suas terras. O coronel Granjeiro elogiou a postura dos índios e chegou a sugerir que os Waimiri Atroari deveriam estender os seus limites rio abaixo, aumentando a área de fiscalização. Os Waimiri Atroari responderam que iam estudar o assunto e depois decidiriam.

O coronel Granjeiro, pediu aos Waimiri Atroari que os recebesse com mais pessoas que faziam parte de sua expedição no outro dia – dia 06 de junho – quando se discutiria melhor os objetivos daquela expedição. Os Waimiri Atroari aceitaram a proposta e ficou marcado para as 12,00 horas do dia seguinte.

No outro dia, dia 06, por volta das 09,30 horas se aproximaram da área do Posto Indígena de Fiscalização Mahaua, 02 embarcações com pessoas a bordo, mas dessa vez não encostaram os barcos na frente do Posto. Ancoraram uma delas numa das árvores existentes na margem esquerda do rio Jauaperi, a 100 metros da casa sede, chamando pelo nome o Coordenador do Posto o técnico Antonio Carlos para conversar. O Antonio Carlos e mais dois outros funcionários do Posto atenderam o chamado e foram até onde se encontrava a canoa ancorada perto das árvores. A bordo estava o Coronel Granjeiro que comunicou que estaria ali para se despedir, pois estava de partida e que por ordem do seu superior não mais haveria a reunião prevista. Fez, entretanto uma correção de que a sua missão não era do Governo Federal e sim uma missão oficial. Sugerido a participação das lideranças Waimiri Atroari naquela conversa, ele dispensou dizendo que não havia necessidade.  Fez os agradecimentos e retornou.

Os Waimiri Atroari acharam estranha a postura da “expedição”, pois não foi esclarecido muito o que eles foram fazer, principalmente porque estavam acompanhados de força especial de segurança da Policia Militar o GATE. Ficou a impressão de que eles realmente haviam chegado até ali para intimidá-los e agredi-los, não se tratou realmente de uma postura de quem teria ido para solucionar conflitos. Não havia conflitos. Mas foi interessante para os Waimiri Atroari, que eles da “expedição” soubessem que ali é a terra dos Waimiri Atroari.